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Para saber mais sobre o patrimônio cultural:

Cartas de preservação (ou patrimoniais) - excertos

 

 


O que foi destruído deve ser reconstituído/restaurado, integralmente?
Novas construções, próximas aos bens a serem preservados, devem "imitar" seu estilo arquitetônico?

 

1931:

"Qualquer que seja a diversidade dos casos específicos - e cada caso pode comportar uma solução própria - a Conferência constatou que nos diversos Estados representados predomina uma tendência geral a abandonar as reconstituições integrais, evitando assim seus riscos pela adoção de uma manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a conservação dos edifícios. Nos casos em que uma restauração pareça indispensável devido à deterioração ou destruição, a Conferência recomenda que se respeite a obra histórica e artística do passado, sem prejudicar o estilo de nenhuma época."

(Carta de Atenas, Escritório Internacional dos Museus/Sociedade das Nações, outubro de 1931)

1933:

"O emprego de estilos do passado, sob pretextos estéticos, nas construções novas erigidas nas zonas históricas, tem conseqüências nefastas. A manutenção de tais usos ou a introdução de tais iniciativas não serão toleradas de forma alguma. - (...) Copiar servilmente o passado é condenar-se à mentira, é erigir o 'falso' como princípio, pois as antigas condições de trabalho não poderiam ser reconstituídas e a aplicação da técnica moderna a um ideal ultrapassado sempre leva a um simulacro desprovido de qualquer vida. Misturando o 'falso' ao 'verdadeiro', longe de se alcançar uma impressão de conjunto e dar a sensação de pureza de estilo, chega-se somente a uma reconstituição fictícia, capaz de desacreditar os testemunhos autênticos, que mais se tinha empenho em preservar."

(Carta de Atenas, Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, versão de Le Corbusier, Atenas, novembro de 1933)

1972:

Ficam proibidos: "1. aditamentos de estilo ou analógicos, inclusive em forma simplificada, ainda quando existirem documentos gráficos ou plásticos que possam indicar como tenha sido ou deva resultar o aspecto da obra acabada; 2. remoções ou demolições que apaguem a trajetória da obra através do tempo, a menos que se trate de alterações limitadas que debilitem ou alterem os valores históricos da obra, ou e aditamentos de estilo que a falsifiquem; 3. remoção, reconstrução ou traslado para locais diferentes dos originais, a menos que isso seja determinado por razões superiores de conservação; 4. alteração das condições de acesso ou ambientais em que chegou até os nossos dias a obra de arte, o conjunto monumental ou ambiental, o conjunto decorativo, o jardim, o parque, etc; 5. alteração ou eliminação das pátinas."

(Carta do Restauro, Ministério de Instrução Pública, Governo mda Itália, Circular n.117 de 6 de abril de 1972)

 

Fonte: IPHAN. Cartas patrimoniais. Rio de Janeiro: 1995. (Caderno de Documentos, 3)

 

 

Página originalmente concebida como suporte às aulas da disciplina de “História e Patrimônio Cultural”, na Graduação em História  da UDESC (2003/I);
Responsável pela elaboração:
Janice Gonçalves

 

 

Página atualizada
em 26 fev.2011

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